Quarta-feira, de manhã cedo, uma pessoa sai para trabalhar. Na esquina, perto de casa, seu carro é parado por outro carro. Quatro pessoas descem, caminham em sua direção, sacam as armas e atiram, tantas vezes quanto lhes apetecem, na direção do carro. Sem explicação, sem dó, sem compaixão, sem piedade. Quarta-feira, dia 24 de dezembro de 2008. Fato verídico.
O que foi o Natal da família dessa pessoa?
A maldade não tem limites. Ela depende apenas da imaginação humana. Já a bondade… Bem, essa é mais devagar, mais silenciosa. Enquanto esta ensina aos poucos, aquela deseduca de uma vez só: pelo exemplo. O mal exemplo que vale mais que mil ensinamentos.
Eu poderia listar uma série de outros crimes mais famosos que abalaram a sociedade nos últimos anos. O menino que foi arrastado pelo carro até a morte; a menina que foi assassinada na estação São Francisco Xavier; o soldado que foi morto a tiros num canal em Brás de Pina há poucos dias; o famoso assassinato do Rio Sul, atrás do camburão (essa já é velha)… A cada dia, eu me assusto mais por me chocar menos com essas histórias.
Mas só o choque (que já anda a meia-bomba) também não basta. É preciso reagir.
Li há pouco tempo que, quando a União Soviética foi invadida por Hitler, no dia seguinte havia filas e mais filas na porta dos quartéis do Exército Vermelho – pessoas querendo se alistar para defender o país, a pátria, a sua terra e a sua gente. Fosse no Brasil de hoje, é possível que até os militares de carreira deserdassem. No Brasil, reação é uma palavra inexistente.
Não se reage contra políticos ladrões, não se reage contra ladrões, assaltantes, estupradores e assassinos, não se reage contra nada. O brasileiro gosta de apanhar, gosta de sofrer. Oferece a outra face para o próximo tapa.
E não venham me dizer que mandar comida para Santa Catarina é reação. Não é! Reação, para ser verdadeira, tem que ser feita de modo eficiente e silencioso, sem impulso da mídia. Mandar alimentos para o Vale do Jequitinhonha, sim, seria uma reação. Esperar os políticos na saída do Congresso para tomar satisfações, sim, seria uma reação. Insurgir-se contra a violência das grandes cidades, com atos concretos de união social, sim, seria uma reação.
Fazer protesto vestido de branco num domingo cinzento na Av. Atlântica não é suficiente. Porque enquanto a galera caminha com suas faixas, tem um monte de crianças largadas à própria sorte ali do lado, vendo a banda passar.
Publicado por Leandro
Publicado por Sarita O.
Publicado por David Cohen 