A sua versus a minha

História é uma questão de ponto de vista. A tendência é que a contemos de acordo com nossos valores: eu gosto mais de você, então eu realço sua participação em qualquer evento, mesmo que você tenha sido mero espectador. Posso até dizer que não estivesse você ali, os fatos não teriam se desenrolado daquela maneira.

No final das contas, a história permite tantas adulterações quantas o tempo permitir passar – pela impossibilidade de confirmação dos dados – ou quantas a memória das pessoas – aquelas que leem a história – deixar escapar. Analisem a história do Brasil, por exemplo. Duque de Caxias é considerado por muitos um herói nacional, e ele realmente foi, dependendo do ponto de vista. Porque alguns descendentes de índios e alguns descendentes de paraguaios provavelmente o consideram um assassino sanguinário e frio.

Vai entender? O tempo passa e mesmo os registros escritos dependem de quem manda.
A Igreja até hoje afirma que Jesus nasceu de Maria, virgem. Virgem? Não sei, eu não estava lá. Mas combina com o dogma católico. Será que dizer que ela realmente “deitou-se” com José colocaria por terra todos os ensinamentos de Jesus? Será que todos os grandes líderes religiosos do mundo precisavam ter nascido de mulher virgem? Será que isso foi importante só naquela época e agora nós – crescidinhos, que não acreditamos mais em cegonha e papai noel – podemos pensar que talvez, quem sabe, de repente, ela não fosse virgem?

História. Depende do ponto de vista, depende de quem conta, depende de quem escuta. Posso contar a mesma história pra vocês e cada um entenderá de um jeito. E depois cada um recontará a sua maneira… Mas no final, a história será tão distorcida quanto o tempo permitir.

Nessa época de log, registro, sistema, temos a impressão que o que está escrito não pode ser adulterado. Ledo engano. Pode. E é.

Imagino que daqui a alguns meses ninguém vá se lembrar que o post logo abaixo não foi publicado exatamente no dia 1o de janeiro. E assim, o novo ano começa com mais uma distorção dos fatos, coberta de boas intenções, mas com efeitos futuros totalmente desconhecidos.

A sua versão e a minha versão são muito diferentes da nossa versão dos fatos…

2 Respostas para “A sua versus a minha”

  1. Leandro Diz:

    Eu sabia que você ia notar… rsrsrs.

  2. David Cohen Diz:

    Ah Sarita, mas esse é o seu ponto de vista… depois eu conto a minha história. rs

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