Não é recente a mania humana de contar histórias. Desde sempre, quero dizer, acho que desde que a habilidade de falar foi desenvolvida pelos seres humanos (o que provavelmente aconteceu em uma caverna escura, iluminada por uma fogueira, depois de uma mutação genética criadora das cordas vocais, provavelmente em um representante feminino da espécie), contar histórias é uma constate humana.
Pensando rapidamente no assunto, lembrei de um monte de tipos de histórias que podem ser contadas: a História propriamente dita (por isso o “H” maiúsculo), histórias próprias, vividas pelo próprio narrador; “causos“, piadas, dramas, fábulas, histórias da carochinha, histórias para boi dormir, histórias para nincar bebê… E o gênero mais comum: as fofocas!!!
Fofocas são uma mania generalizada. Homens fazem, mas discretamente. Mulheres fazem abertamente, umas das outras ou não.
“- Fulano, você sabe da última?“ Ninguém resiste a responder que “sim“. Pode até dizer “não“, mas sempre querendo dizer “sim“. Por isso é que, ao ouvir o “não“, a pessoa que fez a pergunta emenda contando a “última“. E quem falou o “não” ouve atenta.
Fofocas são sempre contadas com tom de mistério, com o interlocutor-narrador olhando para os lados para ver se o alvo-protagonista da fofoca aparece. As fofocas provocam alongamento de palavras: “Fulaaaaana, você não sabe o que aconteceeeeuu“. O gestual também é característico: mãos próximas à boca ou encostando na testa, abertas, indicam o grau de sigilo da fofoca, de gravidade dos fatos, de importância do alvo-protagonista ou das consequencias da história.
E fofoca nunca é fofoca se, o interlocutor-narrador não tomar a liberdade de acrescentar alguma coisa à história que ele ouviu ou presenciou. A história, em si, pode ser fantástica. Mas jamais será uma fofoca se for somente aquilo. Ninguém conta fofoca com tom de seriedade e afirma no final: “foi só isso, eu mesmo vi“. É como uma grande brincadeira de telefone-sem-fio. Quem conta um conto, aumenta um ponto… Ou mais.
* Post inspirado e parcialmente plagiado de “Chá de Saquinho“.
8 Janeiro 2009 ás 6:06 pm
Nosso almoço hoje, hein.. livremente inspirado nesse post!
Ou você estava fazendo pesquisa de campo? rs
9 Janeiro 2009 ás 7:49 am
Antes de sair (na verdade, no meio do caminho para o “restaurante”), eu avisei que já havia escrito e publicado um post sobre o assunto. Pode ver pelo horário da publicação (esse não é fake).
9 Janeiro 2009 ás 9:01 am
Eu sei, eu percebi..
Entao nao foi pesquisa de campo, foi a comprovação da teoria que voce já tinha desenvolvido e publicado.. rs
9 Janeiro 2009 ás 9:27 pm
Exatamente. Só a questão gestual ficou prejudicada pela necessidade de segurarmos nossos sanduíches.