Desde que o mundo é mundo a evolução do homem depende visceralmente da maneira de se contar uma história. Mas mais importante do que o que se fala é o que se ouve, porque é neste ponto que o interlocutor faz seu juízo de valor e seleciona o que é mais ou menos importante para a sua vida.
A palavra “ouve”, na verdade, foi empregada aqui de forma muito simplista. Quando eu disse “ouve” eu, na verdade, quis abranger qualquer forma de compreensão de uma mensagem, mediante a utilização de qualquer sentido. A interpretação, sim, é a chave do sucesso de qualquer mensagem.
A interpretação das mensagens é um aspecto tão delicado e importante que temos profissionais exclusivamente dedicados a ela – o que mais somos nós, advogados, a não ser intérpretes da lei, da doutrina e da jurisprudência, de modo a aplicá-las da forma mais adequada ao caso concreto que temos diante de nós?
É a forma de interpretação, desde a literal até aquela contida em um contexto histórico e ideológico, que define como determinada mensagem atingirá os seus destinatários, ainda que a idéia, quando da sua emissão, fosse radicalmente diferente. E, possivelmente, anos depois, a mesma mensagem será interpretada de forma totalmente diferente, em outro sentido que sequer havia sido imaginado.
Dessa forma a humanidade evoluiu, e assim chegamos até aqui. Foi, repito, através da forma como se interpreta a história que está sendo passada (claro que também é de fundamental importância a forma como a história é contada, mas isso já foi explorado em outro post). Você mesmo, leitor, quando (se, na verdade) chegar a ler este post, vai interpretá-lo de uma forma ou de outra. Vai gostar ou não, mas vai ter a sua interpretação a respeito do que foi escrito. E, espero, assim continuará sendo.
3 Fevereiro 2009 ás 1:34 pm
Ledo o seu texto, pensei em escrever sobre quem conta a história: interpretação, exemplos, trejeitos… Isso pode ser tão importante quanto aumentar um ponto.