
O comodismo dificulta a mudança
Divergindo da maioria, que preferiu falar sobre a legitimidade e a real existência do altruísmo, apego-me à parte do texto da DaniH que falou sobre a dificuldade de implementar mudanças. E eu falo de qualquer tipo de mudança: de casa, de carro, de bicicleta, de marido/mulher, de roupa, de atitude, de trabalho… Mudar é difícil. Aliás, acho que vale a pena repetir as palavras de DaniH sobre o assunto: “Gente, ninguém muda. Mudanças são processos complexos e dolorosos. Não é passeio no parque. Mudanças de comportamento, mudanças de postura, modificações de hábitos. São coisas que estão fora do controle de terceiros. Cabe unicamente ao usuário do sistema alterar. Burro é o terceiro que acredita que pessoas mudam, pura e simplesmente. Quem nasceu Windows vai sempre travar. Não tem atualização que resolva.“
Um homem casa com uma mulher esperando que ela não mude, mas ela muda; uma mulher casa com um homem esperando que ele mude, mas ele não muda. Perspectivas diferentes de um mesmo foco, lados diferentes de uma mesma moeda. Nada funciona a contento quando o assunto é mudança, mesmo quando se compreende e planeja perfeitamente de onde mudar, para que e para onde ir. Adaptação, inconformismo, saudade, tudo é desculpa para evitar mudar.
“Mas as pessoas só mudam quando elas querem“, já dizia uma criança que me ensinou uma lição de moral, certa vez – essa lição de moral, mais especificamente. Sim, só quando querem. Algumas querem mudar, mas não tanto, então não querem muito e, aí, não mudam. Dizem que querem mas, no fundo, não querem. Ficam onde estão, então. Estagnadas na zona de conforto que as envolve e protege.

Queda da Bastilha
A verdade é que as mudanças são precipitadas muito mais pela proximidade de uma boa oportunidade de melhoria do que pelo inconformismo com a situação atual. Basta olhar para a história e perceber isso: as grandes revoluções foram deflagradas muito tempo depois de modelos políticos e econômicos se mostrarem falidos. Era preciso surgir um modelo novo, melhor, para que, enfim, todos se pusessem às ruas para golpear o modelo antigo até o cume da fatalidade.
De que adiantaria proclamar uma independência, dar um golpe de Estado, prender ou exilar um presidente, derrubar a Bastilha, degolar um rei, se não se soubesse o que viria depois? Por pior que seja uma situação, o receio de que ela possa piorar impede, quase que totalmente, uma reação contra a realidade estabelecida. Raras vezes – e só pessoas muito corajosas o conseguem – se busca a mudança por puro inconformismo com a situação atual.
O “querer”, que move a mudança, é limitado pelo “estar” da realidade e pela insegurança do “supor”, quando ele existe.
Publicado por Leandro