Farinha pouca, meu pirão primeiro

21 de Janeiro de 2011

O post (i.e., a catarse) da DaniH, que marca o retorno deste espaço às atividades, é muito oportuno, assim como o que lhe sucedeu. A temática abordada é muito relevante, embora as pessoas não estejam dando a ela a atenção que merece – para o nosso próprio bem.

Estamos vivendo uma época de profundo desprezo pelas pessoas, pelas relações sociais, pelo afeto, pelo amor, pela família, pela autoridade. O respeito ao próximo acabou. Hoje eu ouvi no rádio que um homem esfaqueou, por motivos ainda desconhecidos, o filho de 8 anos e a irmã dele (que, de acordo com a reportagem, era filha de outro). Alunos atacam professores por estarem insatisfeitos com as avaliações. Outro dia eu li em uma revista sobre mundo corporativo que a mãe de um empregado de uma grande empresa foi tirar satisfações com o chefe do filho porque ele o havia repreendido. O bullying no ambiente escolar e o assédio moral no ambiente de trabalho são cada vez mais intensos e agressivos.

Na recente tragédia da região serrana do Rio de Janeiro, ao lado das pessoas que buscam, sinceramente (sim, eu acredito que isso exista), ajudar aqueles que perderam tudo e/ou todos, há os que cobram 60 reais por um botição de gás, ou 40 por um garrafão de água – sem falar nos saques às casas abandonadas e mesmo aos cadáveres encontrados. As autoridades que atuam na organização estão tendo muita dificuldade com pessoas que vão até os locais atingidos, que ainda não estdão seguros, não para ajudar, mas para fotografar a tragédia, guardar recordações do drama alheio, sem perceber (ou não estão nem aí para o isso) que estão aumentando o risco de novos acidentes.

Mesmo entre alguns daqueles que se propuseram a ajudar há um pensamento que poucos têm coragem de admitir. É a sensação de “alívio” e conformismo de perceber que há pessoas em situação muito pior, e que a ajuda fornecida os torna “importantes”; além, é claro, de ostentar ao mundo sua “entrega desinteressada e sincera” no socorro, de modo a tentar faturar algum com o seu “engajamento social”. Isso é explorar a miséria humana. Eu, por exemplo, vi uma foto em um portal de notícias em que alguém cortava o cabelo de outra em Teresópolis, com a legenda indicando que aquilo era um trabalho “social”. Eu não acho que aquele que perdeu família, casa e carro ache que um corte de cabelo “de grátis” seja importante para a reconstrução da sua vida – a última coisa em que eu pensaria em uma situação dessas seria no meu cabelo.

As pessoas vivem cada vez mais encerradas no seu próprio mundo. Não querem se envolver outras a não ser que possam ganhar alguma coisa com aquilo, porque, afinal, já têm os seus próprios problemas, não precisam de mais; por outro lado, relacionar-se com outras pessoas pode mostrar que elas não são tão boas quanto elas acham (ou alguém as faz achar) que são. Não admitem que alguém (mesmo que tenha autoridade para tanto) lhes avalie, critique, corrija; não admitem que alguém seja diferente daquilo que elas definem como padrão – o que for deve ser consertado ou excluído. Vive-se de uma aparência supervalorizada, não se tolera o fracasso ou o contratempo. Abraçou-se a mediocridade, a mesquinharia e os relacionamentos descartáveis vivemos a ilusão de sermos algo que não somos. Não somos. não porque não podemos, mas porque dá muito trabalho.


Fala que eu te escuto

31 de Janeiro de 2009

Desde que o mundo é mundo a evolução do homem depende visceralmente da maneira de se contar uma história. Mas mais importante do que o que se fala é o que se ouve, porque é neste ponto que o interlocutor faz seu juízo de valor e seleciona o que é mais ou menos importante para a sua vida.

A palavra “ouve”, na verdade, foi empregada aqui de forma muito simplista. Quando eu disse “ouve” eu, na verdade, quis abranger qualquer forma de compreensão de uma mensagem, mediante a utilização de qualquer sentido. A interpretação, sim, é a chave do sucesso de qualquer mensagem.

A interpretação das mensagens é um aspecto tão delicado e importante que temos profissionais exclusivamente dedicados a ela – o que mais somos nós, advogados, a não ser intérpretes da lei, da doutrina e da jurisprudência, de modo a aplicá-las da forma mais adequada ao caso concreto que temos diante de nós?

É a forma de interpretação, desde a literal até aquela contida em um contexto histórico e ideológico, que define como determinada mensagem atingirá os seus destinatários, ainda que a idéia, quando da sua emissão, fosse radicalmente diferente. E, possivelmente, anos depois, a mesma mensagem será interpretada de forma totalmente diferente, em outro sentido que sequer havia sido imaginado.

Dessa forma a humanidade evoluiu, e assim chegamos até aqui. Foi, repito, através da forma como se interpreta a história que está sendo passada (claro que também é de fundamental importância a forma como a história é contada, mas isso já foi explorado em outro post). Você mesmo, leitor, quando (se, na verdade) chegar a ler este post, vai interpretá-lo de uma forma ou de outra. Vai gostar ou não, mas vai ter a sua interpretação a respeito do que foi escrito. E, espero, assim continuará sendo.


A vinda de Jesus

19 de Dezembro de 2008

Eu encontrei Jesus!

Foi em uma quinta-feira, dia 03 de maio de 2007, mais ou menos às oito e meia da manhã, na Rua Ibituruna, ali na Praça da Bandeira, próximo à passarela que atravessa a Radial Oeste, vinda do metrô.

Quando encontrei Jesus eu não estava só: comigo estavam ainda Leandro e David, o que pode fazer de nós uma espécie de “três Reis Magos pós-modernos”. Não tínhamos mirra, ouro ou incenso, mas oferecemos, em compensação, muita simpatia, diversão e risadas em homenagem àquela amizada que ali nascia.

Minha primeira impressão desse encontro tão, digamos, iluminado, foi a de que Jesus, além de pop, é uma figuraça. e o melhor é que, mensalmente, ela viria dar o ar de sua graça, vinda diretamente de Belém, para realizar o milagre da multiplicação das piadas – especialmente as piadas prontas e trocadilhos infames envolvendo sua condição divina. E ela, com a paciência dos virtuosos e a paz dos justos, não só nos acolheu, como ainda colaborava com trocadilhos mais infames ainda.

Mas Jesus também sabe falar sério, e uma de suas pregações (que podemos aceitar como o “Sermão da Montanha” de nosso humilde blog) está aqui, neste mês, em que comemoramos seu aniversário.E acho que convém escrever algumas linhas sobre isso.

Talvez não tenha sido coincidência que a proximidade com o Natal tenha sido escolhida como a época em que nossos irmãos de Santa Catarina e, agora, de Minas Gerais, tenham sofrido tanto com as chuvas. Justamente nestes dias que antecedem a data em que se comemora o nascimento de Jesus seus ensinamentos têm sido invocados com mais intensidade, desespero até. E alguns de nós têm atendido a este chamado de boa vontade, com o coração, despindo-se de seus bens para auxiliar aqueles que não só perderam tudo, mas, em alguns casos, perderam todos. Aqueles que colaboram nos enobrecem e orgulham, sendo verdadeiramente filhos de Deus.

No entanto, outros de nós, inacreditavelmente tomados de total ausência de escrúpulos e desprezo pela vida humana, recolhem donativos para depois vendê-los aos desabrigados, saqueiam lojas e supermercados para levar bebidas e cigarros, saqueiam os próprios postos de recolhimento de donativos, aproveitando-se, muitas vezes, do fato de serem voluntários na distribuição do socorro. Vários agentes públicos, eles próprios responsáveis pela manutenção da ordem e pela coordenação dos trabalhos, abusam de sua posição, chacoteando da boa-fé e da esperança das pessoas, jogando-as na lama junto com o que resta das cidades arrasadas. Que a Justiça divina cuide dessas almas perturbadas, e nos ensine a perdoá-las, porque (espero) elas não sabem o que fazem.

Grandes tragédias trazem grandes oportunidades de crescimento interior, de evolução espiritual. Hoje estamos diante de uma delas, e temos ido mal, muito mal. Os sentimentos de igualdade e solidariedade humanas, que deviam animar nossos passos todos os dias, foram, como vêm sendo mais a cada dia, ignorados, seja pelo materialismo de uns, seja pela indiferença de outros.

É hora (como é hora!) de retomarmos os ensinamentos de Jesus: amar-nos uns aos outros; amar aos nossos inimigos; oferecer a outra face; perdoarmos para sermos perdoados. Só assim conseguiremos alcançar nossos objetivos de evolução (moral, de verdade, e não a meramente material, estéril e efêmera), tornando-nos pessoas melhores e justificando a vinda de Jesus à Terra.


Jesus, as baleias azuis e o quadrado

29 de Novembro de 2008

A idéia de organizar um blog a oito mãos, além das duas do convidado do mês, começou meio na base da piada, mas algumas breves discussões depois, está aqui, bem na sua frente. Lembra um pouco aquela música que dizia “Tudo comoçou como uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo…”.

Confesso que achei a idéia ótima, mas me preocupei um pouco no início. Afinal, imagine só a responsabilidade de dividir este espaço com quatro outras pessoas, sendo três delas blogueiros “de escol” – basta ler os respectivos blogs – e a quarta um(a) convidado(a) que, para ter sido escolhida por eles (e por mim também, vá lá), tem de ter grandes predicados. Minha maior preocupação sempre foi: não posso escrever bobagens! E talvez tenha sido por isso que demorei tanto para, finalmente, botar o bloco na rua e escrever este post (e também porque o mês está acabando e o pessoal estava me cobrando, às vezes até ameaçando), já nos acréscimos do mês que termina.

De qualquer maneira, estou contente de fazer parte do Cada um no Seu Quadrado, e prometo que vou cuidar do meu direitinho. E estou contente porque a Deise aceitou ser nossa colunista inaugural. Só fiquei meio decepcionado porque ela mais uma vez nos privou de falar sobre a importância do ciclo menstrual das baleiaz azuis no Mar Vermelho (um dia ela fala), mas, em conpensação, nosso Blog começou com um texto fantástico.

E sobre ele acrescento: Jesus tira férias, sim! Como não?! Já pararam para pensar sobre tudo o que milhões de pessoas, todos os dias, pedem para Ele (no caso, Ela)? É muita coisa, a pessoa se estressa! Um períodozinho de descanso é importante. E imaginem só o drama: se Jesus atendesse todos os pedidos de ganhar na loteria, casar com fulano(a), passar de ano na escola… imaginem administrar todas as preces, todas as bênçãos, todas as pragas… e imaginem só ser, ao mesmo tempo, o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Tem de ter critério!, senão vira bagunça.

Mas não ficamos desamparados. Temos Deise, que fez uma estréia e tanto. E eu, pessoalmente, tenho certeza de que ainda vamso aproveitar muito com este Blog no futuro. E com a presença de Jesus, que, a esta altura, já está de volta, e ainda vai aparecer aqui, e estará no meio de nós.


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