Fala que eu te escuto

31 Janeiro 2009

Desde que o mundo é mundo a evolução do homem depende visceralmente da maneira de se contar uma história. Mas mais importante do que o que se fala é o que se ouve, porque é neste ponto que o interlocutor faz seu juízo de valor e seleciona o que é mais ou menos importante para a sua vida.

A palavra “ouve”, na verdade, foi empregada aqui de forma muito simplista. Quando eu disse “ouve” eu, na verdade, quis abranger qualquer forma de compreensão de uma mensagem, mediante a utilização de qualquer sentido. A interpretação, sim, é a chave do sucesso de qualquer mensagem.

A interpretação das mensagens é um aspecto tão delicado e importante que temos profissionais exclusivamente dedicados a ela – o que mais somos nós, advogados, a não ser intérpretes da lei, da doutrina e da jurisprudência, de modo a aplicá-las da forma mais adequada ao caso concreto que temos diante de nós?

É a forma de interpretação, desde a literal até aquela contida em um contexto histórico e ideológico, que define como determinada mensagem atingirá os seus destinatários, ainda que a idéia, quando da sua emissão, fosse radicalmente diferente. E, possivelmente, anos depois, a mesma mensagem será interpretada de forma totalmente diferente, em outro sentido que sequer havia sido imaginado.

Dessa forma a humanidade evoluiu, e assim chegamos até aqui. Foi, repito, através da forma como se interpreta a história que está sendo passada (claro que também é de fundamental importância a forma como a história é contada, mas isso já foi explorado em outro post). Você mesmo, leitor, quando (se, na verdade) chegar a ler este post, vai interpretá-lo de uma forma ou de outra. Vai gostar ou não, mas vai ter a sua interpretação a respeito do que foi escrito. E, espero, assim continuará sendo.


Quem conta um conto…*

8 Janeiro 2009

Não é recente a mania humana de contar histórias.  Desde sempre, quero dizer, acho que desde que a habilidade de falar foi desenvolvida pelos seres humanos (o que provavelmente aconteceu em uma caverna escura, iluminada por uma fogueira, depois de uma mutação genética criadora das cordas vocais, provavelmente em um representante feminino da espécie), contar histórias é uma constate humana.

Pensando rapidamente no assunto, lembrei de um monte de tipos de histórias que podem ser contadas: a História propriamente dita (por isso o “H” maiúsculo), histórias próprias, vividas pelo próprio narrador; “causos“, piadas, dramas, fábulas, histórias da carochinha, histórias para boi dormir, histórias para nincar bebê…  E o gênero mais comum: as fofocas!!!

Fofocas são uma mania generalizada.  Homens fazem, mas discretamente.  Mulheres fazem abertamente, umas das outras ou não.

- Fulano, você sabe da última?“  Ninguém resiste a responder que “sim“.  Pode até dizer “não“, mas sempre querendo dizer “sim“.  Por isso é que, ao ouvir o “não“, a pessoa que fez a pergunta emenda contando a “última“.  E quem falou o “não” ouve atenta.

Fofocas são sempre contadas com tom de mistério, com o interlocutor-narrador olhando para os lados para ver se o alvo-protagonista da fofoca aparece.  As fofocas provocam alongamento de palavras: “Fulaaaaana, você não sabe o que aconteceeeeuu“.  O gestual também é característico: mãos próximas à boca ou encostando na testa, abertas, indicam o grau de sigilo da fofoca, de gravidade dos fatos, de importância do alvo-protagonista ou das consequencias da história.

E fofoca nunca é fofoca se, o interlocutor-narrador não tomar a liberdade de acrescentar alguma coisa à história que ele ouviu ou presenciou.  A história, em si, pode ser fantástica.  Mas jamais será uma fofoca se for somente aquilo.  Ninguém conta fofoca com tom de seriedade e afirma no final: “foi só isso, eu mesmo vi“.  É como uma grande brincadeira de telefone-sem-fio.  Quem conta um conto, aumenta um ponto…  Ou mais.

* Post inspirado e parcialmente plagiado de “Chá de Saquinho“. 


A sua versus a minha

5 Janeiro 2009

História é uma questão de ponto de vista. A tendência é que a contemos de acordo com nossos valores: eu gosto mais de você, então eu realço sua participação em qualquer evento, mesmo que você tenha sido mero espectador. Posso até dizer que não estivesse você ali, os fatos não teriam se desenrolado daquela maneira.

No final das contas, a história permite tantas adulterações quantas o tempo permitir passar – pela impossibilidade de confirmação dos dados – ou quantas a memória das pessoas – aquelas que leem a história – deixar escapar. Analisem a história do Brasil, por exemplo. Duque de Caxias é considerado por muitos um herói nacional, e ele realmente foi, dependendo do ponto de vista. Porque alguns descendentes de índios e alguns descendentes de paraguaios provavelmente o consideram um assassino sanguinário e frio.

Vai entender? O tempo passa e mesmo os registros escritos dependem de quem manda.
A Igreja até hoje afirma que Jesus nasceu de Maria, virgem. Virgem? Não sei, eu não estava lá. Mas combina com o dogma católico. Será que dizer que ela realmente “deitou-se” com José colocaria por terra todos os ensinamentos de Jesus? Será que todos os grandes líderes religiosos do mundo precisavam ter nascido de mulher virgem? Será que isso foi importante só naquela época e agora nós – crescidinhos, que não acreditamos mais em cegonha e papai noel – podemos pensar que talvez, quem sabe, de repente, ela não fosse virgem?

História. Depende do ponto de vista, depende de quem conta, depende de quem escuta. Posso contar a mesma história pra vocês e cada um entenderá de um jeito. E depois cada um recontará a sua maneira… Mas no final, a história será tão distorcida quanto o tempo permitir.

Nessa época de log, registro, sistema, temos a impressão que o que está escrito não pode ser adulterado. Ledo engano. Pode. E é.

Imagino que daqui a alguns meses ninguém vá se lembrar que o post logo abaixo não foi publicado exatamente no dia 1o de janeiro. E assim, o novo ano começa com mais uma distorção dos fatos, coberta de boas intenções, mas com efeitos futuros totalmente desconhecidos.

A sua versão e a minha versão são muito diferentes da nossa versão dos fatos…


Contribuição ao se contar uma história. Uma forma de expressão da alma humana.

1 Janeiro 2009

Qual a contribuição de se contar uma história para nossas vidas? Uma indagação interessante e incomum ao mesmo tempo. Uma dúvida que não povoa com freqüência o imaginário alheio, o que deve, certamente, provocar estranheza numa roda de conversa animada entre amigos ou familiares.

Contar histórias pode ser uma experiência no mínimo intrigante, já que, muitas vezes, tem o condão de mexer nas emoções, permitir novas sensações, experimentar outras realidades, imaginar situações inusitadas ou fantásticas, ou seja, vivenciar um novo mundo até então desconhecido.

O contato com um mundo imaginário permite que a pessoa ultrapasse o limite de sua individualidade, vivencie universos distintos do seu, vença a sua timidez, além de encorajá-la a se expressar com segurança, permitindo um maior envolvimento com seus ouvintes.

O contador de história usa a expressão corporal, a voz, os recursos disponíveis para envolver aqueles que o ouvem, despertando todos os seus sentidos, contagiando a todos com sua empolgação, com suas mudanças no tom de voz, gestos, deixando a narrativa dinâmica, interagindo com os ouvintes, transformando antigos coadjuvantes em eméritos participantes.

É uma forma envolvente de comunicação, englobando interpretação do emissor, compreensão dos ouvintes, trama da narração, ingredientes distintos, mas interdependentes, que permitem uma completa interação e vivência de determinada experiência, seja ela real ou fictícia.

Contar histórias significa conhecer um novo mundo, diferente da rotina mundana, vislumbrar a realidades ou fantasias de outras pessoas, em suma, uma entrega a um mundo de aventuras vividas ou imaginadas, mas que se tornam fatos concretos a partir do momento que passa a integrar a expressão e atuação de seu protagonista, o próprio contador de histórias.


O modo brasileiro de encarar os fatos

28 Dezembro 2008

Quarta-feira, de manhã cedo, uma pessoa sai para trabalhar.  Na esquina, perto de casa, seu carro é parado por outro carro.  Quatro pessoas descem, caminham em sua direção, sacam as armas e atiram, tantas vezes quanto lhes apetecem, na direção do carro.  Sem explicação, sem dó, sem compaixão, sem piedade.  Quarta-feira, dia 24 de dezembro de 2008.  Fato verídico.

O que foi o Natal da família dessa pessoa?

A maldade não tem limites.  Ela depende apenas da imaginação humana.  Já a bondade…  Bem, essa é mais devagar, mais silenciosa.  Enquanto esta ensina aos poucos, aquela deseduca de uma vez só: pelo exemplo.  O mal exemplo que vale mais que mil ensinamentos.

Eu poderia listar uma série de outros crimes mais famosos que abalaram a sociedade nos últimos anos.  O menino que foi arrastado pelo carro até a morte;  a menina que foi assassinada na estação São Francisco Xavier; o soldado que foi morto a tiros num canal em Brás de Pina há poucos dias; o famoso assassinato do Rio Sul, atrás do camburão (essa já é velha)…  A cada dia, eu me assusto mais por me chocar menos com essas histórias.

Mas só o choque (que já anda a meia-bomba) também não basta.  É preciso reagir.

Li há pouco tempo que, quando a União Soviética foi invadida por Hitler, no dia seguinte havia filas e mais filas na porta dos quartéis do Exército Vermelho – pessoas querendo se alistar para defender o país, a pátria, a sua terra e a sua gente.  Fosse no Brasil de hoje, é possível que até os militares de carreira deserdassem.  No Brasil, reação é uma palavra inexistente.

Não se reage contra políticos ladrões, não se reage contra ladrões, assaltantes, estupradores e assassinos, não se reage contra nada.  O brasileiro gosta de apanhar, gosta de sofrer.  Oferece a outra face para o próximo tapa.

E não venham me dizer que mandar comida para Santa Catarina é reação.  Não é!  Reação, para ser verdadeira, tem que ser feita de modo eficiente e silencioso, sem impulso da mídia.  Mandar alimentos para o Vale do Jequitinhonha, sim, seria uma reação.  Esperar os políticos na saída do Congresso para tomar satisfações, sim, seria uma reação.  Insurgir-se contra a violência das grandes cidades, com atos concretos de união social, sim, seria uma reação.

Fazer protesto vestido de branco num domingo cinzento na Av. Atlântica não é suficiente.  Porque enquanto a galera caminha com suas faixas, tem um monte de crianças largadas à própria sorte ali do lado, vendo a banda passar.


Paz na Terra aos homens de boa vontade

25 Dezembro 2008

Jesus – messias ou não – poderia nascer agora, em 25 de dezembro de 2008, e novamente ninguém entenderia nada do que ele falou.
Assim como diversas outras pessoas, com maior ou menor influência sobre maior ou menor parte da humanidade, ele apenas disse que deveríamos ser um pouquinho mais amigos dos outros seres humanos, sejam aqueles próximos, sejam aqueles não tão próximos. E isso independe de opção religiosa – qual religião prega a destruição do próximo?
Ele, assim como Gandhi, como Buda, como Martin Luther King, como minha avó (por que não?), apenas demonstrou que, sim, dá trabalho ser melhor do que somos, dá trabalho tentar melhorar, mas pra que ficar aqui então? Pra ver a banda passar?

As pessoas esquecem o poder que têm sobre a vida umas das outras.
Durante este ano, enquanto eu ajudava um amigo, olhei para o lado e vi uma outra pessoa me ajudando a ajudá-lo, em silêncio. A pessoa não falou nada e não fez nada além de demonstrar que estava ali caso eu precisasse. Ela me ajudou mais até do que imagina, e eu nunca esqueci. Na verdade, naquela hora, eu percebi como um gesto simples, despretensioso, livre de qualquer intenção escondida, sem qualquer vinculação religiosa, pode ser muito mais importante do que pregações de todo tipo.
É por essa e outras que eu parei de me preocupar com a opção religiosa das pessoas.

Quando eu era criança, lembro de alguém ter me contado aquela história de Jesus em que ele diz que devemos perdoar 490 vezes (70×7). Lembro que eu fazia as contas e pensava “Puxa, mas porque ele não falou que deveríamos perdoar sempre?” até o dia que minha mãe me explicou que a idéia era acostumar a pessoa a perdoar: no início, ela fazia as contas, até que ela acabaria se acostumando e o número de vezes seria esquecido.

Pois eu conheço algumas pessoas que mantêm a conta – pra quando chegar no 490 poderem parar de perdoar sem qualquer remorso.

No final, acaba sendo muito cômodo esperar o dia 25 de dezembro para ser bom, gentil, atencioso. A sociedade cobra isso, nossos amigos esperam isso. E todos esquecem os outros 364 dias e 6 horas que cada ano tem. Não, deixemos os 364 dias e 6 horas de lado. Pensemos em estender essa prática ao dia 24 de dezembro, ao dia 31 de dezembro, ao dia 1o de janeiro. Tentemos aplicá-la ao dia do nosso aniversário – quando estamos naturalmente mais felizes – ou ao dia dos aniversários das pessoas que amamos. Quando repararmos, teremos um mês de bondade obrigatória – e acabará virando hábito ser gentil com as pessoas.

No final das contas, Jesus – a figura histórica mesmo – mostrou principalmente que se você quiser mudar alguma coisa, tem que começar devagar, aos poucos, e dependendo do que queira mudar você terá que convencer muitas pessoas de que você está certo. Mesmo assim, a probabilidade de você não convencer ninguém é grande.
Igualmente grande deve ser sua força de vontade.

Mas se você for como eu – e tiver certeza que os momentos grandiosos da vida não levam o seu nome – fique com os pequenos momentos, valorize as pequenas presenças, os pequenos gestos, o sorriso.

A vocês, meus amigos, um feliz natal, hoje, amanhã, daqui a uma semana também.
Obrigada pela companhia barulhenta de todos os dias e pela companhia silenciosa nas horas que eu precisei.


A espera do Messias

24 Dezembro 2008

Eu não reconheço essa farsante como sendo Jesus! É isso mesmo o que vocês estão lendo, não se deixem enganar, ela não é Jesus!

Aliás, está na moda ser Jesus. Até a Madonna, que se diz uma fervorosa estudante da Cabala (conhecida como sendo o lado místico do Judaísmo), quando esteve no Brasil, tratou logo de arrumar um namorado. Adivinhem quem? Jesus! Isso mesmo, Madonna “like a virgen” trocou beijos com Jesus! Ou seja, Jesus estava mesmo na moda: Jesus virou modelo!

Isso sem falar no Inri Cristo, que tem certeza que é Jesus! Quanta complicação…

Enfim, meus amigos, está cada vez mais difícil acreditar em alguém. Minha educação religiosa me ensinou a aguardar a chegada do Messias, o verdadeiro filho de Deus. Mas quando vi o Messias entrando em campo com a camisa de vários clubes – até do Flamengo! – foi uma ducha de água fria na minha fé. Com Messias no time adversário seria o fim da igualdade no futebol e nem o Campeonato Baiano conseguiria acabar empatado!

Até que em sala de aula um professor disse para a turma que o mau do brasileiro é ficar a espera de um Messias que resolva todos os seus problemas. Ainda segundo este professor, a postura inerte do brasileiro deve-se a espera do Messias. O cara deu um nó na minha cabeça, mas eu me senti menos sozinho no mundo. Eu acabara de descobrir que não eram só os judeus que estavam esperando o Messias, mas todos os brasileiros. Ufa!

Messias tem que asfaltar a minha rua! Messias tem que aumentar o salário mínimo! Messias tem que reduzir a alíquota do Imposto de Renda! E nada dele chegar para resolver os problemas da galera que fica do lado de baixo do Equador!

Seja Messias ou Jesus, já está mais do que na hora de tentarmos resolver os nossos próprios problemas. Já chega de ficar procurando a foto dele na urna eletrônica, façam-me o favor!

E só para que vocês não se esqueçam: Ela nasceu em Belém, mas não é Jesus! E fim de papo.


A vinda de Jesus

19 Dezembro 2008

Eu encontrei Jesus!

Foi em uma quinta-feira, dia 03 de maio de 2007, mais ou menos às oito e meia da manhã, na Rua Ibituruna, ali na Praça da Bandeira, próximo à passarela que atravessa a Radial Oeste, vinda do metrô.

Quando encontrei Jesus eu não estava só: comigo estavam ainda Leandro e David, o que pode fazer de nós uma espécie de “três Reis Magos pós-modernos”. Não tínhamos mirra, ouro ou incenso, mas oferecemos, em compensação, muita simpatia, diversão e risadas em homenagem àquela amizada que ali nascia.

Minha primeira impressão desse encontro tão, digamos, iluminado, foi a de que Jesus, além de pop, é uma figuraça. e o melhor é que, mensalmente, ela viria dar o ar de sua graça, vinda diretamente de Belém, para realizar o milagre da multiplicação das piadas – especialmente as piadas prontas e trocadilhos infames envolvendo sua condição divina. E ela, com a paciência dos virtuosos e a paz dos justos, não só nos acolheu, como ainda colaborava com trocadilhos mais infames ainda.

Mas Jesus também sabe falar sério, e uma de suas pregações (que podemos aceitar como o “Sermão da Montanha” de nosso humilde blog) está aqui, neste mês, em que comemoramos seu aniversário.E acho que convém escrever algumas linhas sobre isso.

Talvez não tenha sido coincidência que a proximidade com o Natal tenha sido escolhida como a época em que nossos irmãos de Santa Catarina e, agora, de Minas Gerais, tenham sofrido tanto com as chuvas. Justamente nestes dias que antecedem a data em que se comemora o nascimento de Jesus seus ensinamentos têm sido invocados com mais intensidade, desespero até. E alguns de nós têm atendido a este chamado de boa vontade, com o coração, despindo-se de seus bens para auxiliar aqueles que não só perderam tudo, mas, em alguns casos, perderam todos. Aqueles que colaboram nos enobrecem e orgulham, sendo verdadeiramente filhos de Deus.

No entanto, outros de nós, inacreditavelmente tomados de total ausência de escrúpulos e desprezo pela vida humana, recolhem donativos para depois vendê-los aos desabrigados, saqueiam lojas e supermercados para levar bebidas e cigarros, saqueiam os próprios postos de recolhimento de donativos, aproveitando-se, muitas vezes, do fato de serem voluntários na distribuição do socorro. Vários agentes públicos, eles próprios responsáveis pela manutenção da ordem e pela coordenação dos trabalhos, abusam de sua posição, chacoteando da boa-fé e da esperança das pessoas, jogando-as na lama junto com o que resta das cidades arrasadas. Que a Justiça divina cuide dessas almas perturbadas, e nos ensine a perdoá-las, porque (espero) elas não sabem o que fazem.

Grandes tragédias trazem grandes oportunidades de crescimento interior, de evolução espiritual. Hoje estamos diante de uma delas, e temos ido mal, muito mal. Os sentimentos de igualdade e solidariedade humanas, que deviam animar nossos passos todos os dias, foram, como vêm sendo mais a cada dia, ignorados, seja pelo materialismo de uns, seja pela indiferença de outros.

É hora (como é hora!) de retomarmos os ensinamentos de Jesus: amar-nos uns aos outros; amar aos nossos inimigos; oferecer a outra face; perdoarmos para sermos perdoados. Só assim conseguiremos alcançar nossos objetivos de evolução (moral, de verdade, e não a meramente material, estéril e efêmera), tornando-nos pessoas melhores e justificando a vinda de Jesus à Terra.


Meu dia de São Tomé

3 Dezembro 2008
Cena clássica de São Tomé

Cena clássica de São Tomé

Não era um dia 3 de julho (se fosse, seria realmente muita coincidência).  Para ser sincero, nem lembro que dia era.  Acho que aquele alemãozinho já está me deixando meio louco.  Só sei que, pelo telefone, eu dei as dicas que ela precisava para chegar na estação do metrô de São Cristóvão, perto do prédio onde teríamos a primeira aula da nossa pós-graduação.

Dei todas as dicas e fui para lá esperá-la.  Coitada: vindo de Belém-PA pela primeira vez e justamente na Zona Norte da cidade.  Aquele mundão…  Mal sabia eu que a pontualidade não era o seu forte.  Esperei, esperei, esperei e desisti.  Deixei recado com o segurança do metrô que uma garota muito perdida ia chegar por ali perguntando onde era o prédio da Petrobras – como se precisasse dizer…

Voltei para o início da aula – que atrasou também.  Juntei-me com dois amigos e voltamos para a estação do metrô para esperá-la.  Nem precisou chegar lá: no caminho, eu encontrei Jesus!  Eu e os meus amigos.  E todos nos tornamos seus seguidores, seus apóstolos.

Mais adequado seria dizer que Jesus me encontrou.  Afinal de contas, quem sou eu para encontrá-lo?  Senti-me como São Tomé.  Vi e acreditei.  E só acreditei porque vi.

E Jesus, para nossa felicidade, passou a nos visitar regularmente.  Uma vez por mês, quase todos os meses do ano, tivemos a felicidade de compartilhar a sua presença no meio de nós, vinda de sua terra-natal: Belém.  Se, por um lado, ela (isso mesmo, Jesus, nesse caso, é uma mulher) não conseguiu arregimentar doze apóstolos, por outro, ela não se fez por rogada: várias vezes trouxe Maria (que, nesse caso, não é sua mãe, mas figurativamente poderia ser) à tira-colo.

E foi por decisão unânime, instintiva e, sei lá… - parece que a idéia havia sido feita para ela (ou, quem sabe, por ela) - que, quando a idéia deste blog surgiu, foi nela que todos pensamos para escrever o post inaugural.  Mas ela pediu para escrever o post de dezembro, por causa das suas merecidas férias…  Nada contra.  Deu até motivos para escrevermos sobre as suas férias no mês passado.

Agora que Jesus está de volta, no mês do seu aniversário, vamos, sim, nos esforçar – mais do que no restante do ano – para otimizar a paz!  Afinal de contas, a palavra do mestre é para ser seguida, e não questionada nem esquecida.  Eu a vi e nela acreditei.  Este relato serve para que outros acreditem sem terem visto – e também se esforcem para otimizar a paz.

Feliz Natal a todos!


Otimizar a paz

1 Dezembro 2008

Fiquei extremamente feliz ao receber o convite desses 04 (quatro) amigos, embora não por unanimidade, porque soube que o David foi voto vencido (Jesus te perdoa, meu filho!), para “inaugurar”, como convidada, o blog criado com tanta criatividade por essas figuras queridas.

Lembro-me, como se fosse hoje, o dia em que nos conhecemos na descida da passarela que liga o metrô da estação São Cristóvão ao prédio da Petrobras, na Av. Canabarro. Lá vinha Jesus, direto de Belém, para aulas de MBA na cidade maravilhosa. E lógico, para que nada pudesse acontecer com Jesus, os apóstolos se prontificaram a ajudar, deixando indicação da saída para rua correta até com o guarda do metrô. Foi incrível como ele já sabia quem eu era, mas também, quem não sabe quem é Jesus?!

Devido as férias (merecidas) de Jesus, não pude escrever o texto inaugural, tendo tal tarefa sido cumprida de forma brilhante pela Deise. Realmente, Jesus causa impactos até quando está de férias, pois os filhos precisam refletir ainda mais sobre a vida e se virar sem mim.

Todavia, por coincidência ou não, fiquei de escrever no mês de dezembro, mês do meu aniversário (não esqueçam os presentes, hein?). Mas, o que escrever em tempos tão complicados? Em tempos de “otimizar” custos, gastos, recursos. Tenho receio que as pessoas entrem em conflito e esqueçam de otimizar a paz.

Vejo como o mundo se comportou com a morte de Saddam. Todos puderam assistir ao “espetáculo” em estado de flagrância. É impressionante como as pessoas vociferavam com a morte de alguém, como se todos alimentassem seus instintos mais primitivos, como se reavivasse a lei de Talião: olho por olho dente por dente. Utilizei Saddam apenas como exemplo, pois é comum, no dia-a-dia, as pessoas se aglomerarem nas ruas para assistir e até vibrarem com a morte alheia como se estivessem num filme.

A sociedade ainda se apresenta retrógrada, com evidentes sinais primitivos, com deleite diante da morte, o sangue escorrendo da boca, com o gosto de vitória. Não há alegria na morte, nem na de um inimigo. Só propugnam pela morte os fracos, os incapazes de lutar pela humanidade. Matar é fácil, difícil é viver em civilidade.

Em pesquisas feitas via internet se observa que grande parte da população urge pela pena de morte. Tal entendimento é fruto da ignorância, do desconhecimento de que nunca na história da humanidade a pena de morte fez diminuir os índices de criminalidade. E pior, diversas vezes já se verificou que o condenado era inocente, nos Estados Unidos vinte por cento dos condenados eram inocentes, os que, infelizmente, só ficou provado após suas execuções. É uma vergonha teratológica. Como dizia o mestre Rui Barbosa: é preferível inocentar mil culpados a condenar um inocente.

Por que a população não se alvoroça para defender a vida?

Com esta postura a humanidade se torna refém de suas próprias atitudes, vez que violência só gera violência, tal morte ao invés de consolo pode se tornar estímulo à propagação da violência. É necessário repensar a humanidade e seus valores, lembrar que o ser humano, em todas as suas dimensões, é o bem mais importante que existe. 

Mesmo parecendo piegas, vale lembrar o mandamento Divino de amar o próximo como a si mesmo. Se Jesus consegue, nós também conseguimos! Pois, só assim, podemos ter esperança de que Jesus vai nascer na vida de cada um de nós na noite de Natal.