O significado de solidão

11 de Maio de 2012

É véspera de dia das mães. E este é um  desabafo

Eu não sou mãe. Eu tenho mãe. Uma mãe que não vou ver nesse final de semana. Não vou ver porque tenho muito trabalho.

Em parte é culpa dela, que me incutiu um senso de responsabilidade e cobrança muito grande.

Em parte é minha culpa…que escolhi isso.

Escolhi esta carreira. Escolhi deixar a vida segura e monótona que possuia e decidi assumir riscos.

Escolhi viver essa vida.

Uma vida distante, nômade talvez. Sem a possibilidade de lançar raízes mas com a grande possibilidade de percorrer o país inteiro. Entre pessoas que não conheço, nas quais não confio.

Não posso me aproximar de ninguém. Tenho que tomar cuidado com quem se aproxima de mim. Tenho pouco tempo pra dar atenção as poucas pessoas nas quais confio e que permito aproximação.

Tenho que estar alerta a todo tempo. Tudo que digo, tudo que ouço é filtrado, calculado, friamente processado e metodicamente analisado.

Não posso dividir minhas angustias, meus medos, minhas fragilidades.

Eu tenho que parecer uma rocha. Eu sou uma rocha.

Ninguém pode saber como dói todo dia acordar e lembrar que eu perdi o único amor da sua vida. Ninguém pode saber do vazio que isso criou dentro de mim. Ninguém pode saber que eu choro de saudade de casa. Ninguém pode saber que eu tenho medo da vida. Ninguém pode saber que eu tenho duvidas. Ninguém pode saber que eu sou desajeitada e meio lerda. Ninguém pode saber que os moveis não podem sair do lugar porque eu tenho uma péssima noção de distancia e me bato em tudo. Ninguém pode saber que eu sinto falta dos meus poucos e bons amigos. Ninguém pode saber que eu tenho medo do que eu estou me tornando. Ninguém pode saber que a perda da minha inocência me incomoda.

Tudo isso me fez descobrir o verdadeiro significado de solidão.

Solidão é chegar em casa e não ter com quem dividir as impressões do dia. Solidão é comprar uma planta e conversar com ela. Solidão é falar sozinha enquanto se está cozinhando.

Solidão é falar com seus próprios pensamentos.

Solidão é sair com pessoas pelas quais você não sente o menor tesão. Falta tempo e saco de investir num relacionamento.

Solidão é decorar a casa comprando móveis pela internet e compartilhar essa informação no tuiter.

Solidão é amar o que você faz e não poder dividir isso com ninguém. Solidão é ter orgulho de onde você chegou e não ter com quem dividir. Seja porque as pessoas não gostam de ouvir você falando do que conquistou, seja porque você não tem com quem falar.

Solidão é pegar um bebê no colo e só conseguir pensar que você nunca vai ter um.

Solidão é ouvir a esposa de um dos seus chefes, que uma vez fez a mesma escolha que você, se referir a vocês como nômades: sem paradeiro, sem raízes.

Solidão não se compara a mera falta do que fazer ou a mera ausência. Ela tem uma definitivamente a qual nada se compara. Ela é o vazio profundo dentro de um universo de vida. Ela não paralisa a sua vida, ela simplesmente te acompanha, todos os dias, todo o tempo. Ela é como o seu perfume, simplesmente está lá: te acompanha o tempo todo e você só sente quando um vento bate e seu cabelo te lembra da longa fixação prometida.

 


“Como usar acentos no Mac”

3 de Abril de 2011

Aproveitei o 1 de Abril pra dar uma trolada no Leandro, que estava ansioso pelo novo post, hahahahah, não postei.. E trolei você também, querido viajante do google, desesperado pra saber como se usam os atalhos no seu Mac!!! Enjoy your desespero!

Mulheres conseguem ser muito cruéis quando sabem que têm um homem a seus pés (um dia ainda postarei sobre a destreza necessária para utilizar a acentuação correta num Mac, creio que só por isso os fanboys e macfags do mundo merecemos estrelas douradas). hahahahaha

Não sei quanto a vocês mas eu não gostei do look do blog…ainda vou convencer a @saritaoliveira (saudade que me mata) e os meninos a arrumar esse layout… enfim…Tenho me sentido um pouco só aqui. Só eu e Leandro tentando manter estes quadrados vivos… enfim…

Essa semana, na sexta precisamente, a primeira fase do meu (mais lindo e maior) projeto terminou. Foi uma fase dura, dificil. Fiquei doente por causa dele, fiquei doente porque estava doente e longe dele. foi um periodo muito estressante. Estressante por causa dele, estressante porque havia ele e mais uma centena de coisas… foi uma dessas épocas que separam mulheres de meninas sabem? Sua resistência, sua sanidade, sua capacidade de liderança e organizacão. E tudo fica pior que você procura ajuda e ouve um: ‘decide você. Você sabe que tem carta branca pra isso”.

Eu sempre digo que bons lideres não podem ser muito galinha, nem muito águia (onde eu trabalho está na moda usar arremedos de técnicas de gestão, que geralmente são mal definidas ou deturpadas, a dualidade chicken/eagle é uma delas infelizmente). É preciso ter sensibilidade e saber que mesmo o melhor e mais audacioso membro da sua equipe pode não estar num bom momento. Todos nós temos os nossos momentos ruins, aquele momento em que a gente refuga na hora de saltar. Nessa hora, porque não estar ao lado do cara? Eu seguraria a mão dele e o carregaria até o outro lado. Mas enfim, essa sou eu querendo que os outros façam o que eu faria…

Mas chega dessa conversa e vamos ao assunto do mês, afinal, este não é um post sobre gestão. Este, por incrivel que pareça, foi planejado para ser um post sobre sociaização nos tempos da internê.

Na edição de fevereiro de 2011, a Superinteressante (sim , eu ainda a chamo assim) publicou uma matéria de capa onde analisava como a internê modificou as bases da amizade em nosso século.

A matéria afirma que interação é a bola da vez, e que, ao contrário do que se esperava, a amizade via internê não tornou as pessoas mais isoladas. Muito pelo contrário! As chances de novas amizades florescerem neste fértil terreno é imensa!

Sim! Há chances de se conhecer novos amigos, estreitar laços com antigos amigos, compartilhar seus interesses com pessoas tão estranhas como você. Há chances, até mesmo de se conhecer novos amores (eu não me utilizo dessa técnica porque ainda tenho fé que o santo antonio que tá lá no freezer vai fazer o David gostar de mim).

Mas, qual é o limite disso?

Há bem pouco tempo eu estava explicando pro Leandro o conceito (aberto) de stalker e de hater. Dois ícones, dois personagens fundamentais da twitosfera. O primeiro ama. ama tanto que pode descambar pra perseguição, pode ate mesmo se tornar um hater. O hater odeia. Simplesmente detona uma pessoa pelo prazer de ridicularizar, ou pelo desejo de fama e fortuna (“ENJOY YOUR FAME AND FORTUNE, KID”), ou seja, só quer aparecer como o cara que derrubou determinada @ (ainda que com argumentos totalmente inválidos).

Diariamente eu vejo pessoas sendo perseguidas, sendo vîtimas de crimes, exatamente porque as agressoras não aceitam a manifestação de opinião diversa. Pessoas que não entendem sarcasmo, pessoas egocentricas que acham que tudo que se fala é direcionado a elas (não é a toa que há um twitter cuja bio é “direcionador de indiretas”).

Tenta-se lidar com isso da melhor e mais polida forma. Meu espaço virtual, seu espaço virtual. Perde-se a paciência várias vezes. Tenta-se de novo outras tantas. E todos os dias dá-se graças a deos que não é só isso que acontece por aquelas bandas.

Mas diante disso tudo, uma pergunta me assalta o pensamento: de que adianta tanta inclusão, tanta interação, se as pessoa não aprenderam a  respeitar as opiniões alheias, se não sabem respeitar os limites da privacidades alheia. A democracia não é algo compreensivel ainda. A liberdade é um bem com o qual as pessoas não sabem lidar. De que adianta internê se há milhares de analfabetos funcionais e acéfalos culturais nas pickups?

E aí? Cadê sua interação agora?

Agora eu preciso ir porque estou fazendo um bolo! Agora estou tentando conquistar o David pelo estômago!!!


Em branco

28 de Março de 2011

Post rapidinho (quase um tweet), só para dizer que esse texto me deu várias ideias, mas não consegui transformar nenhuma delas num post mental decente.  Que dirá num post escrito.  Hoje já é o 28º dia do mês…  Então é melhor esperar o dia 1º chegar, quem sabe com um texto que dê ideias mais palatáveis ao meu cérebro Knutiano.  Boa sorte para mim!


é carnaval

7 de Março de 2011

Então, já passamos do primeiro dia do mês.

Mas há uma explicação plausível para este atraso: estive razoávelmente doente nos últimos dias. Os amigos são testemunhas oculares do nível da coisa. Um doença com várias origens, vários sintomas e um único efeito sobre esta mirrada pessoa: não conseguir pensar.

Mas eis que chega o carnaval, o sonhado descanso. E uma combinação de calmantes e resfenol (abençoados sejam) me coloca de volta no prumo.

Mas vamos falar de carnaval. Mas vamos para outro caminho, longe daquela lenga-lega de “não gosto/gosto de carnaval” ou “os sambas de antigamente eram melhores” ou “que saudade da inocencia dos carnavais de antigamente”.

Segundo minhas parcas pesquisas o Carnaval é uma tradição – ou ritual – de mais de 10 000 anos, que marca a despedida dos prazeres mundanos antes do início dos rigores da Quaresma, que é uma espécie de Yom Kipur cristão, período de purificação e penitência.

Começou com um culto rural de agradecimento pelas colheitas, quando a humanidade começou a plantar. Passou pela Grécia, onde virou uma festa em honra a Dionísio, deus do êxtase e do entusiasmo. Foi aí que o carnaval começou a trazer no pacote a orgia e o álcool, itens preservados com inigualável fervor até os dias atuais.

Na minha opinião é um período em que as pessoas vestem uma máscara e expoem seus lados “devassa”. O que não têm coragem de fazer em suas vidinhas “normais”. Homens de vestem de mulher, mulheres encarnam as putas que estão reprimidas dentro delas…

Nada contra, acho legal as pessoas baixarem seus níveis de puritanismo e assumirem seus fetiches…mas vejam: uma  fantasia não te abandona porque você fingiu realiza-la em cinco dias…

Sou a favor da liberdade, sou a favor do exercício das fantasias na vida, nessa vida mesquinha e repressora que vivemos…sou a favor da realização dessas fantasias como um grito diário de resistência ao falso pudor, ao politicamente correto…

Acreditem, é uma opção de vida e não faz de mim uma devassa…mas uma pessoa que lida bem com seu lado devassa. Todos os dias do ano. E é a paz de consciencia de viver assim que me permite tirar esses dias de carnaval pra descansar…sem a menor vontade de correr pra um bloco e me perder na festa da carne. 

Divirtam-se neste Carnaval foliões!

 


Essa é a esquina do Brasil com o Egito

9 de Fevereiro de 2011

Rua do Egito, por Leandro Moreira.

Esquina da Rua do Egito com a Ponte José Sarney, em São Luís do Maranhão.


A vida sem internet

8 de Fevereiro de 2011

E se te cortassem a internet?Como é que eu viajava para o exterior sem internet para me dizer o que fazer, onde ir, quanto custa, o que ver?  Sei lá.  Quando penso em internet, não penso tanto no meu trabalho.  Penso mais nas minhas viagens.  Compras?  Acho que posso comprar tudo em lojas ainda, sem a comodidade do frete para a minha residência, mas com a satisfação de já sair da loja com o produto na mão (e não com um lançamento no meu cartão de crédito trocado pela expectativa de receber o produto certo dali a alguns dias).  Redes sociais?  Meu blog seria um diário – ou não existiria, o que é mais provável.  Este blog também não.  Filas – a vida seria repleta de filas, como era antigamente: a fila do banco, da loja, do supermercado, do açougue (há pessoas que ainda brincam, ao ver uma fila, lembrando das homéricas filas da carne nas crises de abastecimento dos anos 80)…  Nossas pesquisas didáticas voltariam ao velho recorte e cola manual.  Sob este aspecto, pesquisas escolares nunca mudaram: sempre foram recorte e cola – a diferença foi a forma de recortar e colar, que a internet otimizou.  Correspondências voltariam a ter o charme da entrega do carteiro que hoje perderam.  Scraps e e-mails banalizaram a troca de correspondências a tal ponto que até aquela ligação telefônica esperada perdeu um pouco do seu espaço no rol de coisas que dão friozinho na barriga – neste ponto, suplantadas pelos torpedos enviados de telefones celulares, outra praga moderna hodierna.  As conquistas amorosas não teriam mais suas vertentes cegas virtuais – vide o célebre caso de um amigo de um amigo meu que foi descoberto por terceiros inscrito no Par Perfeito.  Notícias seriam lidas apenas nos jornais de papel, que retomariam o valor de antes (houve época em que alguns jornais, após lidos, eram revendidos!).

A Pátria de ChuteirasSerá que se o governo brasileiro cortasse a internet do país inteiro haveria uma revolução para depor o governo?  Será que se houvesse uma revolução para derrubar o governo, ele cortaria a internet do país inteiro?  Primeiro, eu duvido que hoje, no Brasil, haja uma revolução para derrubar o governo.  Brasília é longe demais, o povo brasileiro anda muito egoísta, pouco consciênte, pouco aguerrido – até Copa do Mundo a gente não encara mais com aquela gana e cegueira de antigamente, a Pátria de Chuteiras…  Terá que ser algo muito sério, muito grave, para causar uma queda de governo com foco popular.  Talvez um ou dois milhões de nerds sem internet, nas ruas, não seja capaz de tirar um minuto de sono dos governantes.  Das outas hipóteses, a política toma conta.  Mas não duvido que, para salvar-se, o governo cortasse a internet, numa cartada desesperada.  A maior bola fora dessa medida seriam os prejuízos econômicos a ela associados.  Aí é que residiria o perigo: quando dói no bolso, o pessoal que tem dinheiro se mexe – mais rápida e eficientemente do que quando dói no estômago ou em outras partes do corpo.

Talvez seja essa a diferença do Brasil para o Egito: lá, o ovo vem antes da galinha; aqui, só há galinha se houver ovo.


Essa é a mistura do Brasil com o Egito

1 de Fevereiro de 2011

Perdoem-me pelas más lembranças que o título traz: sim, trata-se de uma clara referência aquela pérola da musicologia brasileira – O Tchan ( é esse o nome mesmo?).

Embora eu tenha certeza que vários queridos vão se lembrar da Carla Perez em estado natural com essa referência, não é esta a intenção.

Esta pérola da música brasileira descreve o que os autores entendiam como a cultura egípcia: muita sacanagem. Sacanagem em ambos os sentidos. Os caras deviam achar que o Egito é uma espécie de Copacabana (sem ofensa, só pela reconhecida fama de paraíso sexual) da cultura árabe. É, árabe. Porque afinal há referências acerca de odaliscas, habib, quibe (que horror). Enfim.

Mas porque vc esta fazendo estas digressões DaniH? (DaniH tá começando a se tornar uma personagem interessante ahn?). Sim o Egito está nas manchetes, mas não seremos tão óbvios né?

Esta semana eu me deparei com um caso bizarro na internetz.

Eu não tenho o menor saco pra utilização de redes sociais como o Facebook e orkut. Mantenho o primeiro por causa dos contatos (e dos lembretes de aniversário) e o segundo esta lentamente agonizando.

Vigora na internê, entre os iluminatti que a segunda rede social citada tornou-se território de pessoas menos providas de neurônios, ética e bom senso. Enfim, orkut e coisa de pobre. Facebook é pros sofisticados (se enganam achando que brasileiro não é capaz de transformar tudo num carnava… Facebook tua hora já ta chegando). Sou usuária, não relevante, do Twitter, que em geral é descrito como um microblog e que eu prefiro dizer que é um hospedeiro de microblogs que interagem reciprocamente. Só não chamem de rede social, porque isso ele não é (gente chega de definições né?).

Enfim. Esta semana uma determinada pessoa, dilacerada pela dor (creio eu) postou no Facebook uma atualização informando que na noite anterior seu noivo havia se suicidado e que a vida não fazia mais sentido para ela.

Não era uma trollagem. Era fato, consumado aliás.

O sinistro, para mim e outros tantos que se manifestaram sobre o assunto, foi a pessoa, diante de tamanha dor, correr pro Facebook pra anunciá-la entre seus amigos.

Mais sinistro ainda foram as quase quinhentas pessoas que cutucaram o ícone “curti”, logo abaixo da postagem.

Na época em que os deslizamentos da serra eram manchete constante dos jornais, um abençoado “curtiu” quando uma menina postou que tinha perdido um ente querido debaixo de sete pés de lama. Provavelmente aquele ser teve seus membros amputados pela violência da enxurrada, ou pelo choque com os elementos do caminho. Seu braço pode ter sido encontrado em cima do telhado de uma casa. Mais  de 200 pessoas “curtiram” isso.

Mais recente ainda foi o desabamento do Pará. Um prédio em construção ruiu e lançou seus escombros por cima de casas e pessoas. Uma menina postou que seu primo morreu ali embaixo. Centenas “curtiram”.

Desculpem o peso das cenas, mas vejam, a falta de bom senso alcança níveis jamais vistos. Como assim a pessoa “curte” uma desgraça? Há um espaço para um comentário logo abaixo a postagem, mas ninguém o usa para uma palavra de apoio ou solidariedade. Penso que talvez seja a dificuldade de encontrar palavras pra se manifestar num evento tão complexo como a morte. É difícil para todos. Mas “curtir” gente?!

Mas vamos adiante porque ainda chegaremos ao Egito neste post.

O fato de se anunciar desta forma as dores que lhe afligem é algo que me assombra. Não que eu não tenha sido pessoal vez por outra no twitter. Sou. Não sou um personagem ali. Me responsabilizo pelo que escrevo, me exponho. É a precisa medida de exposição que me permito.

Já reclamei de namorados, já desabafei minhas angústias com o trabalho, já expus meus descontentamentos com amigos. Concordo com o Cardoso, internet é coisa seria e você tem de ser pessoal sim.

Mas tudo o que se expõe ali são dores menores. Pequenos empecilhos da vida. As dores maiores calam. Exemplo? Soube que a filha de um amigo estava internada vitima de queimaduras (arte de criança que acabou mal) através de outro que avisou do ocorrido quando perguntado onde estava o primeiro. O primeiro se calou. Foi viver a dor no mundo real.

Alguns ponderam que a exposição da dor é fruto do mal do mundo moderno. Tudo tem que ser capitalizado. Então se você é bonita e esbelta porque não capitalizar na interwebs com a dor da perda do noivo. A informação viaja em velocidades além da compreensão neste ambiente. Logo você estará num reality e daí em diante é a vida glossificada!

Achei esta uma percepção mais cruel ainda do fato, embora bem realista. É este o mundo que vivemos sim senhor. Somos, salvo poucas exceções, rasos assim.

A internetz atualmente (maldita inclusão digital) é a ferramenta de comunicação mais eficaz do mundo. Para o bem e para o mal. Exemplo recente é o caso da Magali dançando que se tornou viral, se espalhando rapidamente e criando o meme “agora dança Magali” (que substituiu o “aham Claudia, senta lá).  E pode, também, acabar com uma imagem, como o caso #NISSANFAIL ou, recentemente o caso #BRASTEMP. Teve também o caso da Gal Costa que falou no twitter que seu conterrâneos soteropolitanos eram todos preguiçosos (sem piadinhas hein) e acabou se retirando de exposição, depois de xingarem muito ela no twitter.

Dependendo das circunstâncias a internetz é sua única porta de comunicação com o mundo, como, por exemplo, uma fila. Diga se você consegue viver sem internetz numa fila. Eu, pessoalmente, não entendo mais o mundo sem 3G.

E foi essa porta de comunicação um dos estopins da revolta das massas no Egito (eeeee chegamos!).

Claro que não ouso simplificar a agonia de anos de regime ditatorial a uma simples revolta porque fecharam lan-houses. Mas sim, um dos elementos mais fortes foi esse. O corte das comunicações.  Ou como diz um amigo cortou internet cortou o porn e uma população sem porn é uma massa sem controle (desconsiderem a piadinha).

O território livre que permitia a troca de idéias com o mundo foi a pique no Egito com uma canetada que determinou que todos os servidores do país fossem desligados. Sua vida sem Google, já imaginou? Sua vida sem poder saber o resultado do concurso garota bomba 2011? (sorry, não resisti a piadinha preconceituosa).

Fato é que a internetz atualmente é sim território livre, território onde pessoas pensam, onde nerds se ajudam (o Google, por exemplo, permitiu o acesso ao Twitter pelos telefones celulares, recebendo e retransmitindo mensagens por voz e as transformando em mensagens de texto com a hashtag #egypt) e transmitem ao mundo os desmandos de um regime retrô, totalmente inadequado à atual realidade.

Só assim pra se descobrir que o exército não estava nas ruas oprimindo cidadãos mas rasgando bandeiras junto com eles .

A revolução não será televisionada. A revolução será transmitida via stream amigos.

E o que isso tem a ver com o Brasil? Ué a gente vai orkutizar tudo! É o que fazemos de melhor!

(Este post foi escrito no meu iPhone e transmitido via 3G para o WordPress, desculpem qualquer erro, o autocorrect é bem temperamental: damnyouautocorrect.com)